A leitura desperta em nós muitas lembranças. Os depoimentos sobre leitura nos faz viajar junto com o autor nas suas
experiências e memórias. Neste espaço vamos ler vários depoimentos dos
professores participantes deste blog sobre suas experiências com leitura e escrita,
todos muito significativos para eles:
AILTON JOSÉ VENTURI
Relembrando minhas
experiências com a leitura, lembro de uma atividade em que a professora no
ensino fundamental da 6ª série, pediu para que entre vários livros escolhêssemos um para ler. O meu grupo escolheu o livro " Uma rua como
aquela" da escritora Lucília Junqueira de Almeida Prado e após a leitura
fizemos um seminário. Um fato marcante da época foi que entrevistamos a autora
do livro que foi muito receptiva conosco. A professora teve um papel muito
importante por despertar o gosto pela leitura.
ÉLIDE MARIA HERNADEZ
Para começar fui alfabetizada pela Cartilha Caminho Suave, era uma cartilha bem interessante pois apresentava uma linguagem fácil e com figuras. Modéstia a parte, quando comecei a caligrafia, como toda criança os traços começavam a sair meio tortos mas depois fui alinhando as letras e comecei a escrever bem bonito. As professoras elogiavam minha letra dizendo ser de professora, mal sabiam elas que um dia iria me tornar uma. Quando viajava com meus pais, ao começar a ler, eu lua tudo que vinha pela frente, outdoors, cartazes, lia placas de carro, r quando ia na missa, fazia a leitura das parábolas. Com isso não fui apresentando muita dificuldade para ler.
JEANNE M. JIMENES AMARAL
Cresci ao redor dos livros. Meus
pais sempre se preocuparam muito com nossa educação e me lembro de nos
reunirmos na sala de casa, junto ao vendedor de livros para escolhermos as coleções que meu pai compraria (na época
era comum haver vendedor de livros
porta-a-porta). A primeira coleção que me recordo era de contos infantis,
e o interessante é que ela tinha capa em "3D", algo inédito na época
e que nos fascinava muito (eram capas onde os personagens se mexiam conforme o
movimento que fazíamos na capa). Meu pai comprou para nós a coleção inteira da
Barsa, bem caro para seu bolso, mas que ele dizia ser um investimento em nosso
futuro. Tinha enciclopédia, atlas, livros de inglês, completinha e a
curiosidade de saber sobre os animais, sobre os planetas e o mundo nos fazia
frequentemente folhear cada parte. Desde cedo fomos incentivadas, minha irmã e
eu, a ler muito, e a ler por gostar. Antes mesmo de ser alfabetizada eu já
tinha gibis da Mônica e sua turma e também dos personagens da Disney e minha
mãe os lia para mim. Eu tinha pressa de aprender a ler para poder eu mesma
saber as estórias dos meus gibis e meus livros. O auge do meu interesse pela
leitura se deu no Ensino Médio, no então 1º Colegial, onde conheci uma
professora de literatura que nos deixava apaixonados por todo autor que nos
apresentava. Na faculdade, além dos livros de botânica, anatomia, zoologia e
outros, tive acesso a clássicos da literatura alemã que completaram assim minha
bagagem como leitora. Foram momentos preciosos que ajudaram a formar meu caráter e a moldar meus gostos,
incluindo aí a profissão que escolhi.
LAIS LETICIA DOS SANTOS PASINI
Eu poderia ter tido o gosto pela leitura já quando criança, pois meu avô paterno sempre se dedicou a leitura de livros, revistas, jornais e enciclopédias.... tendo isso realmente como algo fundamental em sua vida, e me lembro que achava muito interessante porque ele acabava lendo três ou quatro livros ao mesmo tempo e sabia contar a história de cada um deles . Algo que graças a Deus ele faz até os dias de hoje, principalmente por ele ter perdido quase 100% da audição. Mas meus pais nunca foram muito de ler, nem mesmo acabaram seus estudos... fui realmente ter contato com a leitura na escola, através do incentivo das professoras. Mas houve um período muito frustrante em minha vida quando cursei parte do ensino fundamental (1ª e 2ª série) em uma determinada escola particular, onde os professores não incentivavam a leitura e nem mesmo a correção da escrita (a escola só se preocupava com o pagamento da mensalidade).... passado um tempo meus pais perceberam uma grande quantidade de erros em meus cadernos, onde mesmo com uma enorme quantidade de erros, meus boletins só tinham notas altas... foi onde me mudaram de escola.... isso me causou sequelas terríveis que ainda sinto.... Graças a Deus tive excelentes professores, desse período em diante que me auxiliaram no processo de leitura e escrita. Hoje sou graduada em Biologia, pós graduada em Gestão Ambiental, possuo trabalhos de pesquisa cientifica apresentados em congressos e estou trabalhando para publicar meu artigo cientifico.
LEONCIO MAIORANO NETO
A leitura é um transporte para a imaginação, para o conhecimento e, especialmente, para a escrita. Além de, é claro, ser uma grande fonte de prazer.
Felizmente, sempre tive contato com livros de variados assuntos mas, na infância, gostava de uma coleção, ricamente encadernada e ilustrada, que narrava epopéias e mitologias tanto ocidentais quanto orientais; também viajava nas sagas de Julio Verne. Mais tarde, busquei auxílio dos livros para formar uma cosmogonia que contemplasse tanto meus anseios racionais quanto os espirituais. Nas ciências, um livro que me marcou muito foi “O Livro da Natureza”, de Fritz Kahn, um grosso volume com muitas ilustrações incríveis (do próprio autor) que tratava desde o micro até o macro cosmo e que selou minha paixão pelo estudo da Natureza. Os livros são, de fato, grandes companheiros.
LUZIANA MARIA BORGES JANINI
A minha história é
diferente, a minha infância foi vivida na Zona Rural, e pouco se via e se lia
livros, jornais, revistas e etc., não havendo assim o hábito de leitura na
família. Por outro lado, o contato com a natureza, rios, lagos, árvores e animais
foram intensos e maravilhosos! “Acho até que esses momentos vividos
influenciaram-me o gosto pelas Ciências Biológicas. Mas foi
com a minha professora de Português Maria Tereza, que aprendi a
gostar de livros, ela “exigia” que lêssemos um livro por bimestre e, foram dois
deles que me marcaram muito; "O Tempo e o Vento" de Erico Veríssimo e
"O Morro dos Ventos Uivantes" de Emily Bronte, e apesar de não ter
grande habilidade escritora, adorava as aulas de literatura no Ensino
Médio com o grande Luiz Puntel. Hoje, como mãe e professora, procuro estimular
e promover a leitura de meu filho e de meus alunos.
VILMER MAIA FIOROTO JUNIOR
Um fato que me marcou muito foi que na minha infância minha avó materna não tinha nenhum domínio da leitura e escrita, o que era nítido, pois ela é católica e sempre queria ler a bíblia sagrada e não conseguia. Foi no ano de 1994 que ela começou a fazer o EJA e como eu era criança ainda comecei a perceber que ela estava começando a ler, então comecei a sentar ao lado dela para ver o que ela estava lendo e conversando com ela percebi o quanto era importante para ela a descoberta deste novo mundo, o que me incentivou a começar a pegar livros na escola e sentar ao lado dela para começar a descobrir esse mundo junto com ela. E assim fui descobrindo em cada livro um mundo novo repleto de ação, aventura, etc, tudo graças à força de vontade da minha avó.